domingo, 1 de janeiro de 2012

Nova literatura ou "Da inexistência de Literatura"

Muito se critica a escola pelo seu método, pouco didático, de, literalmente, obrigar a tal geração "Y" a ler os clássicos da literatura, seja brasileira ou mundial. Crê-se veemente que a liberdade de escolha dos alunos sobre o que desejam ler (ou mesmo se o querem), é maneira mais engenhosa de tornar a leitura algo prazeroso.
Inevitável o questionamento; o que é literatura prazerosa? Pode-se "medir" a qualidade do autor pelo prazer que proporciona aos leitores?

Outro fator impeditivo do proporcionamento do prazer da leitura é a temática a ser tratada e a linguagem utilizada.

Os novos "escritores" brasileiros, estão mais próximos de um gênero já denominado LPB: Literatura Popular Brasileira. Diferente da MPB, o popular na literatura é realmente popular, tal gênero abarcaria escritores como André Vianco e Raphael Draccon, que produzem obras de grande gosto do público e das editoras e livrarias obviamente.

No site da Submarino, um leitor assíduo (como ele mesmo diz, "já li mais de 230 livros"), assevera que Dragões de Éter de Raphael Draccon é o apogeu da literatura produzida no Brasil, e que na sua visão - ressalte-se 230 livros lidos - é a melhor trilogia já escrita.

Sem mais delongas, o que se produz no Brasil, de literatura nova e popular é, deveras, entretenimento.

Obviamente a leitura tem seu caráter prazeroso, entrementes, o prazer é confundido com a leitura em si, quanto na realidade o prazer advém da aquisição de conhecimento e do "sentir".

A qualidade do autor não é medida somente pelo domínio da linguagem ou concatenação das idéias, como é mister da crítica intelectual-escondida na universidade. Mas também pela sua capacidade de "fotografar o perfume". E de tal qualidade, infelizmente, não são providos os novos talentos da literatura brasileira.

Não que não se deva ler tais autores, um livro que distrai e encanta é sempre bom,desde que seja intercalado entre um Guimarães e um Raduan Nassar por exemplo (este último é até atual).

Não é que a literatura produzida atualmente, seja de todo ruim. Hilda Histi, Paulo Leminski e o já citado Raduan, são modernos e de ótima qualidade; o que espanta é que há rumores de uma tal "revolução cultural" trazida por autores populares.

Entretanto, ao se comparar a nova safra que vende bem, com os modernos desconhecidos e os clássicos pouco lidos, o que tais "revolucionários" trazem além do entretenimento?

A linha que separa literatura e diversão não é tênue, ao reverso, é bem nítida. Todavia, para enxergá-lá não é necessário a leitura de 300 livros, mas apenas a sensibilidade e o "esforço" de ler um guimarãesinho...

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