Primeiramente, a globalização seria um "fábula". Trata-se da globalização como nos é dita, qual seja, essa "aldeia global multicultural". O mundo seria um lugar no qual as diversas culturas convivem harmoniosamente.
Num segundo momento, Milton Santos trata da globalização "como ela é", ou seja, perversidade...
Por fim, a globalização apresentar-se-ia "como ela pode ser"; uma maior participação das minorias, mudanças ascendentes, real harmonia entre as diferentes culturas, etc.
A globalização real é perversidade. A fábula da "aldeia global", esconde os chamados "globalitarismos". Tal denominação deve-se à difusão - autoritária - de um pensamento único. Seja ele econômico, religioso, político ou psicocultural. Nessa vereda, a informação tem papel fundamental; isso porque "o que é transmitido a maioria da população é uma informação viciada, que ao invés de esclarecer, confunde". A informação é apropriada por empresas e Estados centrais, impedindo que a periferia do sistema capitalista obtenha uma visão real dos processos de produção econômica ou cultural; acirrando as desigualdades entre os agentes mundiais e desestruturando qualquer tipo de contestação à ordem estabelecida ou uma possível revolução (que nowadays, mostra-se não o anseio de uma "minoria radical", mas uma real necessidade social - visão confirmada por István Mészáros, que em passagem recente pelo Brasil, proferiu palestra na qual afirma que a produção do capital passa por crises não mais conjunturais, mas sim estruturais; e para crises estruturais, requerem-se transformações estruturais).
Diante disso tudo, o que seria então os Direitos Humanos, senão o maior expoente dessa difusão de um pensamento único, que traz benesses mormente ao primeiro mundo, em detrimentos do terceiro (este, claramente, mais numeroso)?
Em seu artigo 3º, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, aduz que "Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal." Nada mais arrazoado, entrementes, tais direitos são dotados de significação intrinsecamente ligada aos valores culturais dos próprios países que contribuíram para a declaração, o que torna tais direitos com "forma" universal, porém com "conteúdo" particularizado.
A comparação é deveras exagerada, mas para a cultura hindu, a vaca é animal sagrado, para o "bom brasileiro", vaca sagrada é uma picanha sanguinolenta-mal-passada. A proximidade entre as diversas culturas trazida pelo encurtamento do espaço-tempo (através da revolução do meio técnico-científica-informacional), e os intensos atritos advindos, só mostram que a "aldeia global multicultural" não difere muito de uma cultura ocidental, capitalista, desenvolvida.
Num primeiro momento, os DH nos parece a vitória da democracia (sic), sobre o autoritarismo. Todavia, há que se ressaltar que a declaração fora realizada pela ONU, o que, per si, margeia a caracterização de certas peculiaridades geopolíticas.
De plano, podemos assentar, sem equívocos, que os DH estão dentro de um contexto ideológico bem delineado: o que não é a ONU senão a supremacia político-cultural de países brancos, cristãos, capitalistas e desenvolvidos? Em nada surpreende a ausência de um país latino-americano ou muçulmano no Conselho de Segurança (quem sem meias palavras, é o órgão nuclear de toda ONU), tendo voz ativa na consolidação dos DH, e não sendo meros signatários.
De outra banda, de que maneira países tão democráticos, como o Brasil; que possui uma polícia exemplar e civilizada, extremamente preparada para lidar com movimentos que clamam por justiça social e nada mais que o cumprimento de princípios constitucionais como a função social da propriedade e a redução das desigualdades regionais e sociais (artigo 170, incisos III e VII); ou os próprios EUA, terra da liberdade (de consumir), que "implanta" democracia à maneira menos democrática. De que maneira tais países tem o condão de condenar condutas "desumanas" praticadas por países árabes-cheios-de-petróleo, ou africanos fetichistas.
Qual seria a real distinção entre a utilização de animais em rituais religiosos africanos, e o peru de natal e bacalhau da sexta-feira santa?
Os direitos humanos, além de serem a consubstanciação de um globalitarismo, em nada se diferem da missão religiosa no colonialismo do XV-XVI, ou da missão civilizatória (famigerado "fardo do homem branco") no neocolonialismo do XVIII, ou o Destino Manifesto dos EUA, ou do... A questão real não é o bem-estar humano, mas sim a nova técnica ideológica de legitimação e mascaramento da exploração de uns sobre os outros.
Não há nada de novo debaixo do sol...
Qual seria a real distinção entre a utilização de animais em rituais religiosos africanos, e o peru de natal e bacalhau da sexta-feira santa?
Os direitos humanos, além de serem a consubstanciação de um globalitarismo, em nada se diferem da missão religiosa no colonialismo do XV-XVI, ou da missão civilizatória (famigerado "fardo do homem branco") no neocolonialismo do XVIII, ou o Destino Manifesto dos EUA, ou do... A questão real não é o bem-estar humano, mas sim a nova técnica ideológica de legitimação e mascaramento da exploração de uns sobre os outros.
Não há nada de novo debaixo do sol...
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